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Monday, October 14, 2019

Governo do Equador recua e revoga decreto que elevou preço dos combustíveis; manifestantes celebram - G1

Governo do Equador recua e revoga decreto que elevou preço dos combustíveis; manifestantes celebram - G1

Manifestantes comemoram em Quito revogação de decreto que causou aumento nos preços dos combustíveis — Foto: Martin Bernetti / AFP Photo Manifestantes comemoram em Quito revogação de decreto que causou aumento nos preços dos combustíveis — Foto: Martin Bernetti / AFP Photo

Manifestantes comemoram em Quito revogação de decreto que causou aumento nos preços dos combustíveis — Foto: Martin Bernetti / AFP Photo

O governo e a Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) anunciaram na noite deste domingo (13) um acordo para frear a onda de protestos que chega a 11 dias no país. O presidente Lenín Moreno recuou. Ficou acertada a revogação do decreto que retirava subsídios aos combustíveis e a elaboração de um novo texto sobre o tema. A decisão deve por fim aos distúrbios em todo o país. Manifestantes celebraram o acordo nas ruas da capital, Quito.

Após a reunião com os líderes indígenas, Moreno declarou que o decreto 883 será revogado e substituído por um novo texto, a ser redigido por uma comissão.

“O bem mais valioso que temos é a paz, e eu valorizo a paz como valorizo o sacrifício dos irmãos indígenas”, afirmou o presidente.

Arnauld Peral, coordenador da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Equador, leu o acordo no final da noite:

"Como resultado do diálogo, é estabelecido um novo decreto que deixa o Decreto 883 sem efeito. Instalará uma comissão que elaborará o novo decreto, integrado pelas organizações do movimento indígena, participantes desse diálogo e do governo nacional, com a mediação das Nações Unidas e da Conferência Episcopal do Equador e com a supervisão das demais funções do Estado. Acordo, as mobilizações e medidas de fato em todo o Equador são encerradas. E nos comprometemos em conjunto a restaurar a paz no país ".

O novo decreto será elaborado por comissão composta por autoridades governamentais, representantes indígenas e organizações da sociedade civil e internacionais.

O presidente do Equador, Lenin Moreno; o bispo católico Luis Cabrera e Arnaud Peral, representante das Nações Unidas no Equador, se encontram com os líderes das comunidades indígenas, nos arredores de Quito, no Equador — Foto: Cortesia / Presidência do Equador / via Reuters O presidente do Equador, Lenin Moreno; o bispo católico Luis Cabrera e Arnaud Peral, representante das Nações Unidas no Equador, se encontram com os líderes das comunidades indígenas, nos arredores de Quito, no Equador — Foto: Cortesia / Presidência do Equador / via Reuters

O presidente do Equador, Lenin Moreno; o bispo católico Luis Cabrera e Arnaud Peral, representante das Nações Unidas no Equador, se encontram com os líderes das comunidades indígenas, nos arredores de Quito, no Equador — Foto: Cortesia / Presidência do Equador / via Reuters

A retirada dos subsídios aos combustíveis era parte de um pacote de ajustes para cumprir metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O Equador pediu ao fundo empréstimo de US$ 4,2 bilhões.

Com o fim dos subsídios, a alta de até 123% no preço dos combustíveis desencadeou uma onda de protestos nas principais cidades equatorianas.

No início das conversas, Moreno afirmou que os mais ricos e os traficantes de gasolina eram os que mais se beneficiavam do subsídio aos combustíveis. "Se isso também está afetando os mais humildes, temos que dialogar. Mas não é justo que esses grupos poderosos fiquem ainda mais poderosos com o subsídio", alertou.

Manifestantes comemoram em Quito revogação de decreto que causou aumento nos preços dos combustíveis — Foto: Martin Bernetti / AFP Photo Manifestantes comemoram em Quito revogação de decreto que causou aumento nos preços dos combustíveis — Foto: Martin Bernetti / AFP Photo

Manifestantes comemoram em Quito revogação de decreto que causou aumento nos preços dos combustíveis — Foto: Martin Bernetti / AFP Photo

Lideranças indígenas

O presidente da Conaie, Jaime Vargas, aprovou o acordo, mas pediu ao governo respeito à Constituição. “Nossos territórios são afetados pela ação das transnacionais. Nesse processo de luta, temos mais de 2.000 feridos, 1.000 prisioneiros e 10 mortos ”, afirmou.

Vargas, porém, ainda quer a renúncia imediata da ministra do governo María Paula Romo, e de Defesa, Oswaldo Jarrín, para participar de novas reuniões. O governo ainda não respondeu sobre o pedido do líder indígena.

Leonidas Iza, presidente do Movimento Indígena Cotopaxi, informou que a violência vai diminuir com a revogação do decreto.

Secretário da Presidência

Após finalizar o acordo, o secretário da Presidência, Juan Sebastián Roldán, disse que esses 11 dias de convulsão social que o país viveu foram difíceis para os equatorianos.

“Ninguém quer um prisioneiro, ninguém quer uma pessoa ferida. Nenhuma polícia, nenhum exército pretende agredir ninguém; mas muitos militares e policiais cumpriram seu dever nas ruas e hoje também comemoram a tranquilidade”, disse.

Ele destacou que a atitude de Moreno de se abrir ao diálogo permite superar a crise que o Equador experimentou e restaurar a paz e a tranquilidade.

O começo do dia em Quito foi de cidade deserta, devido à ampliação do número de militares e ao toque de recolher imposto na véspera. A medida vigoraria até as 15h de domingo; depois, foi estendida até as 5h desta segunda-feira (14).

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2019-10-14 06:34:00Z
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